ethαlınα

𝟔 𝗉𝗈𝗌𝗍𝗌 𝟓𝟒𝟖 𝖿𝗈𝗅𝗅𝗈𝗐𝗂𝗇𝗀 𝟏,𝟐𝐌 𝖿𝗈𝗅𝗅𝗈𝗐𝖾𝗋𝗌
𝒘𝒆 𝒃𝒆𝒍𝒐𝒏𝒈 𝒕𝒐𝒈𝒆𝒕𝒉𝒆𝒓🕊 𝖨 𝗐𝖺𝗇𝗇𝖺 𝗐𝖺𝗌𝗍𝖾 𝖺𝗅𝗅 𝗆𝗒 𝗅𝗈𝗏𝖾 𝗈𝗇 𝗒𝗈𝗎

𝑾𝒆 𝒄𝒂𝒏 𝒕𝒂𝒌𝒆 𝒄𝒂𝒓𝒆 𝒐𝒇 𝒂 𝒌𝒊𝒅, 𝒓𝒊𝒈𝒉𝒕? 📖

— ETHAN!

O moreno se assustou. Estava quieto lendo um livro de conto de fadas bobo na sala quando ouviu Vênus gritando seu nome da cozinha. Tinham acabado de se mudar para a casinha recentemente construída e agora viviam juntos, apenas os dois.

E claro, aquela condição era ideal para que Caspian e Lili deixassem o pequeno Rilly com o casal para que pudessem passar um tempo juntos onde quer que estivessem. Seria tranquilo, Ethan e Vênus eram ótimos com crianças e Rillian os adorava.

O pequeno adorava ainda mais saltar das bancadas da cozinha segurando pacotes de porcarias. Foi essa a visão que Ethan teve quando entrou no cômodo. Rilly rindo bobo sentado em cima de um pacote de bolinhas de queijo, todas as gavetas do balcão abertas para que servissem de escada e uma Vênus tremendo de ódio.

— VOCÊ NÃO ESTAVA DE OLHO NELE?— Ela gritou.

— Eu achei que você estivesse! Me desculpe!

Ele corre na direção do garoto de quatro anos, o pegando no colo tentando segurar o riso. Aquele garotinho era realmente muito bagunceiro.

— Ele se machucou? — Perguntou Vênus, se aproximando dos dois com um olhar preocupado.

— Acho que não. Ele está sorrindo, talvez até queira pular de novo!

— Ah mas não vai mesmo! Rilly você tem que pedir para nós se quiser comer! Eu poderia ter te dado as bolinhas de queijo.

A loira se abaixou de forma que pudesse olhar o garotinho nos olhos. Era óbvia a preocupação que estava sentindo, não queria que o afilhado se machucasse.

— Vai descansar Ven, eu vou dar um banho nele e tirar todo esse farelo. Tudo bem?

Ele selou rapidamente os lábios dela antes de levar o garotinho em direção ao banheiro do quarto que dividia com Vênus, ela nem mesmo conseguiu negar a sugestão do namorado.

— Eu sei que você gosta de bagunça mas agora você tem que ficar calminho okay? A titia Vênus tá cansada depois de brincar com você a manhã toda. — Ele disse assim que pos o garoto na banheira.

— Você vai me dar bolinha de queijo depois?

— Um pacote cheio, só para você! Mas não pode dar nenhum para o Floquinho.

— Então eu vou ficar quietinho! — Disse o pequeno começando a brincar com um navio de brinquedo que tinha trazido.— Eu sou Rillian! Rei de telmar! O mais poderoso navegador dos mares do nosso mundo!

Ethan apenas riu enquanto lavava o garotinho, as vezes conversando com Rillian ou fingindo ser algum monstro marinho que o príncipe conseguia derrotar facilmente.

Ele adorava cuidar de Rillian, mesmo nos dias em que o garotinho resolvia fazer bagunça.

— Se ele ficar aí por mais tempo vai sair todo enrugado.— Disse Vênus, os observando na porta.

— O que é bom para um filho do Caspian, não? — Ethan respondeu rindo.— Vamos lá grande Rillian, sua missão acabou e chegou a hora de voltar para terra firme!

— Eu não quero!

— Você precisa! Ou amanhã não vai poder se aventurar de novo.— Ele cedeu, deixando que Ethan o tirasse da banheira e o enrolasse na toalha.

— A tia vênus vai me contar uma historinha?

— Você quer ouvir uma?

— Sim! E também quero chocolate quente!

Ethan riu, deixando o garotinho no colo de Vênus para que ela o vestisse enquanto ele fazia a bebida quente para ele. Nesse tempo ele só conseguia pensar no quão animado estava para quando fosse a sua vez de ter um pirralhinho desses. Essa ideia lhe enchia de alegria.

Logo ele voltou com duas canecas de chocolate quente em mãos e pode ouvir a voz de Vênus. Ela tava contando uma história para Rilly, que já estava deitado debaixo das cobertas da cama do quarto de hóspedes.

— Ela queria muito ir ao baile, muito mesmo, mas suas irmãs postiças nunca deixariam que uma simples estrela as envergonhasse daquele jeito!

— Minha mãe não é uma simples estrela! — o garotinho murmurou irritado, logo sendo abraçado por Ethan que entregou a bebida para os dois.

— Eu sei disso! Mas as irmãs dela não pensavam assim. Elas nunca deixariam ela pisar no enorme castelo de telmar.— Ela deu um gole no chocolate quente.— Lili ficou muito triste, era sua única chance de fugir daquela vida terrível! Mas sabe o que aconteceu?

— O que? — Rilly perguntou concentrado.

— Uma fada apareceu e transformou os trapos rasgados de Liliandil num lindo vestido de baile azul, cheio de borboletas brilhantes. A abóbora do quintal de transformou numa enorme carruagem, os velhos sapatos gastos em sapatos de cristal e os ratinhos amigos viraram lindos cavalos.

— Ratinhos tipo o Ripchip?

— Tipo o Ripchip! Por causa deles sua mãe conseguiu ir ao baile e lá ela conheceu o príncipe caspian, que diga-se de passagem, precisava de um bom banho.— Ele concordou com a tia.— Eles dançaram juntos a primeira dança, foi lindo. Eles eram perfeitos um para o outro. Mas logo o relógio bateu meia noite e ela teve que correr de volta para casa antes que sua madrasta voltasse!

“Pobre Lili, ela chegou a tempo mas estava toda suja e molhada. O maravilhoso vestido deixou de existir magicamente mas ela conseguiu guardar para si um dos sapatinhos de cristal.”

— E o outro?

— Ela deixou cair na escadaria no palácio quando ela estava correndo para casa. E foi assim que seu pai começou a procura por sua mãe. Todas as mulheres experimentaram o sapatinho, mas o sapato não cabia no pé nenhuma delas. Inclusive, as irmãs postiças de Lili também não podiam colocá-lo.

— E quando minha mãe colocou meu pai a achou e eles se casaram?

— Sim, mas foi um pouco mais complicado que isso. A madrasta malvada a prendeu no porão da casa para que ela não experimentasse o sapato! Ela sabia que tinha sido Lili no baile e não uma garota aleatória do reino. Caspian não saberia que ela estava ali se não fosse pela linda voz dela.

“Ela desceu e experimentou o sapatinho, que coube perfeitamente. Foi o segundo dia que Caspian ficou mais feliz. O primeiro foi no casamento dos dois, que veio logo depois desse dia. Ou será que foi o dia que você nasceu?”

— Foi o dia que eu nasci!

— Vai ter que perguntar para ele amanhã.— Vênus riu, se levantando para arrumar o pequeno na cama de casal e ir se deitar.

— Tia Ven. Dorme comigo? Tio Ethan também. Tá frio.

— Claro, mas você não pode nos derrubar da cama! — Ethan finalmente disse algo, se enfiando debaixo das cobertas com o garotinho.— E você tem que me abraçar e me esquentar. Você consegue?

— Sim! Vem tia! — Ele sorriu animado e logo se escondeu no peito de Ethan.

Ela sorriu de volta, e se deitou do outro lado da cama do quarto de visitas, também abraçando o garotinho.*

E eles dormiram assim, abraçadinhos.

Na manhã seguinte quando Lili e Caspian vieram buscar Rillian ele perguntou, “É verdade que vocês se casaram por causa de um sapatinho de cristal?”

𝑻𝒉𝒆 𝑳𝒊𝒔𝒕 📃

— É sério que você me fez dirigir até o mercado às 3 da manhã? Nós mal chegamos! — Ethan disse bocejando enquanto saia do carro.

— E daí? Eu tô com fome, ué! — A loira pulou do carro, parecia muito mais animada.— Parou mal hein.

— Eu to com sono! Preferia ter me jogado na cama do quarto pra dormir!

— Vai perder sua primeira madrugada em Paris? Que decepção Ethan Macgyver!

Okay okay, vou contextualizar isso. Vênus sempre amou Paris, já tinha visitado o país algumas vezes e pela primeira vez estava levando o namorado para lá. Mas bem, digamos que a viagem não tinha saído como o esperado.

Sairiam de Nova York no início da noite e chegariam ao aeroporto internacional de Paris pela manhã, mas tiveram um pequeno imprevisto...peludo.

O plano era deixar os bichinhos com Connor e Lucy (por motivos óbvios) mas claro, o cachorrinho tinha que arrumar algum problema.

De algum jeito o filhote abriu a mala de viagem e entrou no meio das roupas. De verdade, não me pergunte como! O casal só percebeu o problema quando ouviram alguns latidos no porta mala.

“Não deixamos o floquinho na casa da Lucy?” “Eu tenho quase certeza que sim”

E surpresa! Quando pararam o carro na rua para conferir a mala, lá estava o pequenininho saltitando alegrinho. Tiveram que voltar para a casa dos amigos e quando perceberam, tinham perdido o horário do check in, consequentemente o voo.

E com um pouquinho de sorte conseguiram remarcar o voo para algumas horas mais tarde. Ficaram por horas no aeroporto esperando para poderem embarcar. Chegaram até a tirar um cochilo na área de embarque de outra companhia aérea. Foi um perrengue enorme.

Depois disso conseguiram embarcar e só não dormiram a viagem toda pois, de alguma forma, Vênus conseguiu driblar os comissários de bordo e conseguiu beber vários copinhos de vinho. Ethan estava com tanto sono que bebeu apenas um copo de vinho branco. Depois disso dormiu por horas.

Chegaram no aeroporto de Paris perto da meia noite, mas claro, o lugar era longe para um caralho da cidade e ficaram por uma hora num carro até finalmente chegarem no apartamento que tinham alugado. Antes disso tinham que passar pela famosa imigração, pegar as malas e conseguir pegar o carro na locadora (outro rolo que atrasou mais ainda a estadia no aeroporto). Então quando finalmente chegaram no prédio já eram quase duas e meia da manhã.

E agora estavam ali no meio da rua, após terem deixado as malas no apartamento, caminhando até o único mercado aberto durante a noite. Sinceramente, Ethan queria matar Vênus e voltar para dormir. Estava acordado a mais de 24 horas, sem contar os cochilos rápidos. Ela era má!

— Okay, o que você quer comprar? — Disse assim que entraram no mercado.

— Espera! Eu fiz uma listinha enquanto você tomava banho. — Ela tirou um papelzinho do bolso do casaco.

1 Pacote de café solúvel (não tem máquina de café no ap)
Mistura de panquecas
Leite e Mel
Mirtilos, morangos, limão e framboesas.
2 garrafas de vinho
Qualquer coisa pra jantar hoje
Queijo

Biscoitinhos.
Pão
Refris (?)

— Quer fazer as compras do mês? — Arqueia a sobrancelha quando pega um dos carrinhos.

— Você vai! Eu estou cansada— Ela pulou dentro do carrinho do mercado, fazendo com que o namorado a olhasse chocado.

— Tá brincando comigo? Nossa eu juro que vou te matar quando a gente voltar pro apartamento

— Você não faz mal nem mesmo pra uma mosca, professor de pirralho!

Ele revirou os olhos mas mesmo assim fez como a namorada tinha dito, a guiando pelos corredores do mercado dentro do carrinho enquanto faziam algumas piadas. Vênus já estava encolhida ali dentro no meio de tantos biscoitos, chegava até a ser uma cena engraçada, quase uma criança grande.

Já tinham feito todas as compras da lista, tirando o mais importante para Vênus. E quando chegaram lá...bem, encontraram um pequeno probleminha.

— Você só pode comprar bebidas até as 23 horas, senhora. — Disse um atendente do lugar quando Vênus foi lhe perguntar o motivo para que a área com as bebidas estivesse trancada.

A expressão da loira mudou de animação para surpresa, ela parecia desacreditada. Já Ethan continua com a mesma cara de nada, até porque não entendia a língua a qual os dois estavam falando. Mas caiu na risada assim que a namorada lhe contou a razão da frustração. Agora ele morreria.

— Isso não é justo! — Ela disse alto assim que saíram do mercado. — COMO UM MERCADO NÃO VENDE BEBIDAS?

— Eu não sei, mas você pode voltar para perguntar se quiser, de novo.

— Eu não vou voltar nesse lugar nunca mais! Como pode uma coisa dessas?

Ele apenas riu e entrou no carro, esperando que ela fizesse o mesmo. Ethan não devia rir mas a expressão da namorada no carro era uma das coisas mais engraçadas naquele momento.

— Se você quiser eu posso sair bem cedo amanhã e comprar vinho para você. Só vamos chegar no apartamento e dormir mesmo.

— Mas eu não quero que nossa primeira noite em Paris seja assim! Nós iríamos ficar na sacada do apartamento conversando enquanto bebíamos o maldito vinho! — Ela continuou emburrada.— Agora só temos refrigerantes! Qual a graça de fazer isso com coca cola?

Ele segurou o riso mais uma vez com ainda mais força mas não disse nada, apenas continuou o caminho para o apartamento. Ela continuava emburrada, mas agora acabava com uma caixa de biscoitos cobertos de chocolate.

— Eu vou guardar tudo isso e vou pra varanda, tudo bem? Pode ir ficar comigo se quiser.— Ele perguntou assim que parou o carro.

— Tudo bem, eu só vou tomar um banho.

Enquanto Vênus tomava um banho, bem demorado diga-se de passagem, Ethan preparou na varanda uma espécie de cama com algumas almofadas. Tinham tido a sorte de ter a vista da torre logo na frente do prédio. Era ainda mais bonita iluminada durante a noite.

Ele estava ali, sentado mexendo no celular enquanto esperava pela namorada aparecer, enrolado num cobertor peludo.

— Você não disse que queria dormir? — Ela perguntou emburrada, se jogando ao lado de Ethan.

— Perdi o sono, vamos ficar aqui um pouco, o que acha?

— Eu queria fazer isso bebendo vinho. Malditos parisienses que querem extorquir nosso dinheiro em restaurantes.— Ethan segurou o riso.

— Pelo menos nos temos duas taças com suco de uva integral. A diferença é que não tem álcool. Eu peguei no mercado sem que você visse, deve compensar a falta de vinho por hoje.

Ela não disse nada, apenas deitou a cabeça sob o peito do namorado e passou a observar a torre.

— Dá pra acreditar que vamos passar o natal aqui? Só nós dois.

— Sem nenhum bichinho te roubando de mim!— Ele acrescentou.

— Isso também! Eu nunca pensei que traria uma pessoa que eu amo pra cá. Todas as vezes que vim foi com minha família. Parece que estou num lugar completamente novo.

— Por favor não leve isso ao pé da letra, não quero me perder aqui e você é minha guia! — Ela riu.

— Porque você é tão besta!

— Eu tô mal acostumado. — Deu de ombros.— Mas se quiser saber, eu nunca pensei que viria para cá também, muito menos com alguém que eu amo tanto quanto você.

— Por que somos tão melosos?

— É o clima de paris!

Ela ficou quieta por alguns segundos, apenas olhando a torre.

— Nós deveríamos mandar uma foto disso pra deixar o Connor e a Lucy com inveja? — Ela perguntou.

— Com certeza, pega a taça de suco de uva! Vamos fingir que é vinho e tirar várias fotos!

𝑶𝒖𝒓 𝑳𝒊𝒕𝒕𝒍𝒆 𝑯𝒐𝒖𝒔𝒆 🏡

Vênus adentrou a pequena casa na árvore dando pulinhos animados igual uma criança, quase derrubando o papel e o tinteiro que segurava com uma das mãos.

– Dá pra acreditar que vamos desenhar a nossa casa?? Nunca achei que ia fazer isso um dia! Só não pode esquecer das portas.

— Nossa casa não. A casa do limão, ele é o rei das nossas vidas! — Ethan brincou, deixando o gatinho preto adormecido numa das almofadas da casinha antes de chamar a namorada para sentar ali consigo. — Teve sorte por ele estar dormindo! Acho que iria voar em você se ouvisse o que disse.

Ele sorriu, deixando que ela se sentasse entre suas pernas para que pudesse ajudar com o desenho. Era tão bom vê-la animada.

– Ele que é o nosso dono. Mas você aumenta tanto o ego dessa criaturinha, por isso o Floquinho é aquela peste. Fica deixando ele fazer tudo o que quer! – Murmurou ainda com um sorriso nos lábios, dando um tapinha na perna do maior – Quero só ver como vai ser quando tiver filhos, cabeça de alga.

Ela soltou uma risada baixa, dando um beijo na bochecha dele antes de se virar para colocar o material no chão para que conseguissem desenhar.

– Então, por onde começamos?

— Pela entrada, eu acho. Mas eu não sou arquiteto e nem nada do tipo, não sei se isso vai dar certo.

Murmurou, pegando alguns materiais para ajudá-la a desenhar. Aliás, já tinha dito que era péssimo em desenho? Ethan olhava para aquela folha de papel e nada lhe vinha à cabeça, parecia que não sabia nem mesmo desenhar um traço reto.

— Bem...a gente pode fazer uma varandinha perto da entrada. Ou um balanço numa árvore do quintal.

Ela mordeu os lábios enquanto fitava a folha vazia a sua frente. Também nunca tinha sido boas com desenhos, nem mesmo os mais bobinhos de palitinho.

– Vou fazer aqui no cantinho – Começou desenhando as árvores onde o balanço ficaria – E aí o resto do espaço fica pra casinha.

O resultado não foi um dos melhores, mas estava até... bonitinho. E claro que Vênus não aguentou e acabou desenhando um gato, um cachorro e uma tartaruga bem pequenos perto do balanço.

– TCHARAM!

— A gente precisa muito de um arquiteto.

Ele riu, pegando a folha por um momento para olhar o desenho. Ele abriu um sorriso ainda mais bobo vendo os desenhos fofos da namorada no canto da folha.

— Olha limão! Sua mãe te desenhou também! — Apontou para que o gato visse a si mesmo no papel. Ele olhou rapidamente e ignorou.— Gato rabugento!

–Tenho certeza que ele achou o desenho feio, olha a cara de cu dele. – Ela mostrou a língua para o gato, que continuou olhando para o casal com a mesma cara emburrada – Limão, você está virando adolescente, e está ficando chato!

Logo ela também desistiu, voltando sua atenção para a folha de papel com o desenho que parecia o de uma criança nos anos iniciais no jardim de infância.

– Vamos só, tentar desenhar o que queremos e como queremos. Bem simples, e aí a gente passa pra alguém que sabe o que fazer pra ela tentar melhorar. Então... um quarto pra você, um pra mim e um pro Limão.

Ethan rapidamente levantou o olhar para Vênus, a encarando com as sobrancelhas arqueadas. Iriam dormir separados...na própria casa?

— Não vamos dividir o mesmo quarto? E o limão não vai dormir com você?

– Não um quarto grande pro Limão, só um cantinho pra ele ter onde ficar durante o dia – Ela disse franzindo o cenho, abrindo um sorriso pequeno – Um quarto pra mim ficar quando enjoar de você por algumas horinhas. E precisamos de um quarto para as crianças!

— Quando você enjoar de mim é só me expulsar do quarto, eu posso dormir no sofá.— Deu de ombros.— Quatro quartos então?

– Só três na verdade, mas deixa quatro!

Ela sorriu animada, virando-se para dar um selinho rápido nele. Ele sorriu, nunca de cansaria disso.

– Uma cozinha, sala e banheiro. Só isso?— ela pensou por um momento.— Por que os castelos são tão grandes?

— Porque vivem muitas pessoas neles, muito mais do que só uma família. Por isso tem tantos quartos, salões e tudo mais.

Ele a abraçou por trás, olhando o desenho que tentavam fazer numa nova folha. Continuava sendo um péssimo desenho.

— Ao invés de fazer um quarto para você nós podíamos fazer um de visitas.

– Aham, principalmente pro Rilly e pra Ames dormirem lá em casa. Ou a Amber também, se ela quiser. – Franziu o cenho para o desenho – E se a gente fizer dois andares? Os quartos em cima, e o resto em baixo. AMOR! E um lugar pra guardar vinho, não pode esquecer.

— Claro! O vinho é muito importante! A gente pode fazer um armário na cozinha, como se fosse uma dispensa enorme.— Ele riu com a animação da menor.— E dois andares pode ser uma boa ideia, acho que teríamos mais espaço

– Vai ficar confortável, vamos colocar várias janelas no andar de baixo pra gente ver a paisagem – Arqueou a sobrancelha, tentando lembrar se faltava algo – Acho que agora acabou, não é?

— Acho que sim. Agora precisamos de alguém que desenhe tudo isso! — Riu e pegou o desenho.— Por enquanto vamos deixar esse desenho bem aqui.—

Ele se levantou e pendurou o desenho numa das paredes da casinha, chamando ela para olhá-lo também. Vênus por sua vez encarava a “obra de arte” com um sorriso de doer as bochechas.

– Já sei o que está faltando, cabeça de alga! – Ela disse animada e se inclinou na direção da parede, desenhando dois bonecos de palitinho ao lado dos animaizinhos. – Acho que agora a obra de arte está pronta!

— E em breve nossa casinha também vai estar. Mas nunca vai superar essa do desenho!

— Vai se ferrar Ethan!

𝑻𝒂𝒌𝒆 𝒚𝒐𝒖 𝒉𝒐𝒎𝒆💐

As lágrimas não paravam de descer do rosto de Vênus. Ela abraçava seu corpo como uma forma de se sentir um pouco melhor enquanto encarava a porta da emergência com medo.

Tinha saído com seu sobrinho para um parque logo cedo. Iriam brincar, tomar sorvetes, correr por aí. Seria um ótimo dia. Mas estranhamente Rillian não parecia se sentir bem.

Ele já não queria mais brincar, preferia ficar sentado. Também não tinha fome, apenas bebia água e conversava com a tia enquanto se enrolava num casaco por conta do frio do outono.

Mas num momento aquilo começou a parecer estranho demais, o garotinho estava tremendo de frio mesmo que estivesse completamente agasalhado. Vênus correu para avisar Caspian que levaria o garoto para o hospital para garantir que não fosse nada demais.

E agora ela estava ali do lado de fora, torcendo para que não recebesse nenhuma notícia ruim. Quando os médicos pegaram o caso de Rilly não se preocuparam tanto, até que viram o garotinho com certa dificuldade para respirar. Nesse momento o levaram para fazer uma série de exames, deixando Vênus ainda mais preocupada.

Caspian e Lili já tinham entrado, agora ela estava sozinha pensando no pior. Não podia perder seu sobrinho. Estava com tanto medo. Ela se sentou encostada na parede e escondeu seu rosto entre os joelhos, sentindo algumas lágrimas caírem.

Ficou assim por alguns minutos, sentindo seu coração apertar ainda mais em seu peito. Ela queria tanto poder sair dali e ir para casa, mas estava desesperada por notícias de Rilly. Tudo que precisava naquele momento era de uma garrafa de vinho cheia.

Ela se assustou quando levantou a cabeça, encontrando uma das flores do canteiro do hospital em seu colo junto com um pequeno bilhete num papel arrancado de um caderno de qualquer forma.

“Porque está chorando? Uma garota tão bonita como você não deveria ficar desse jeito. Pense positivo! Tudo vai ficar bem logo, por mais que pareça que tudo ao seu redor vá desabar. Você consegue.”

Ela abriu um pequeno sorriso olhando para o bilhete, procurando por alguma assinatura. Nada, estava vazio. Ao seu redor também não parecia ter ninguém que pudesse ter deixado aquilo ali.

Nos momentos seguintes ela recebeu outra notícia que fez seu mundo desabar mais uma vez. “Já avisamos aos pais mas talvez você devesse saber. Rillian tem um quadro de pneumonia e vai ser tratado aqui no hospital por um tempo. Sentimos muito.”

Vênus voltou a chorar, deixando o bilhete e a flor caírem no chão com o choque. O que estava acontecendo em sua vida?

...

Era sua vez ir comer depois de fazer companhia para Rillian por horas. O quarto do hospital era realmente chato, mas pelo menos conseguia distrair o garotinho com alguns jogos de cartas ou filmes da Disney. Tinha assistido Carros mais vezes do que poderia contar.

Caspian e Lili finalmente tinham conseguido expulsá-la do quarto para que fosse pelo menos tomar um café, mas ela não tinha vontade para isso. De toda forma, sabia que se não comesse acabaria passando mal mais uma vez.

Ela se sentou numa das mesas da cafeteria para conversar com Lucy, sua melhor amiga. A morena ficava cada vez mais irritada com Vênus por não sair do hospital em nenhum momento, alegando estar preocupada com a amiga. Mas ela não deu muita atenção para aquilo. Precisava cuidar de Rillian antes de tudo.

Lucy parecia não entender isso então ela logo desistiu de fazê-la entender e se levantou para pegar um lanche no balcão. Normalmente aquilo que sempre pedia, uma torta de limão e um chá gelado.

Ela voltou para a mesa e se deparou com um lírio amarelo deixado do lado onde estava sentada. "Que estranho, não lembro de ter deixado isso aqui”. Ela afastou a flor para que pudesse comer e percebeu que ali também estava um bilhete, escrito com a mesma letra do que tinha sido dado a ela semanas antes.

“Acho que você não “leu” meu conselho daquela noite, certo? A cada dia que passa parece cada vez mais sem vida. Acho que nunca te vi sorrindo antes, porque não sorri mais?
Eu sei que você deve ter respondido agora com algo horrível que vem lhe acontecendo, o que vai provar que não ouviu meu conselho daquela noite. Seja pessimista, sorria. Seu sorriso pode fazer tão bem para você quanto pode fazer para os outros. Talvez ele possa ser a razão para que essa sua estadia no hospital acabe.
Espero que goste da flor, escolhi com muito cuidado apenas para você”


Era besteira. Como poderia sorrir num momento como aquele? Ela olhou em volta procurando por quem poderia ter deixado a flor ali, mas tudo que viu foram algumas pessoas. Uma senhorinha andando de mãos dadas com sua filha, que retribuiu o olhar da loira com um sorriso antes de sair pelas portas do hospital.

Ela também viu um casal lendo um livro sentados num banco do lado de fora. A garota vestia um pijama do hospital assim como Rilly, mas mesmo assim parecia tão alegre. Um pouco mais longe pode ouvir os gritos animados de várias crianças, correndo na direção de um homem que segurava vários balões coloridos. Logo esse homem estava no chão, sendo abraçado por todas crianças, rindo como um bobo. Eram as crianças da ala de câncer.

Talvez ela pudesse encontrar uma razão para sorrir.

….

Um mês e meio se passou e Rillian ficava cada dia melhor. Talvez pudesse ser liberado do hospital para finalmente ir para casa logo.

Vênus por sua vez já não vivia mais ali. Ela ia para o hospital ver o sobrinho com frequência, mas agora passava mais tempo com seus amigos. Ela, Lucy e Cher saiam para o shopping da cidade algumas vezes e gastavam o dinheiro dos namorados das duas às vezes. Ela ficava um pouco mais alegre a cada dia.

Era quinta feira, dia que Vênus ficaria com Rilly durante a tarde, maratonando filmes e jogando todos os jogos possíveis. Ela levava na bolsa algumas balinhas que o garoto gostava, torcendo para que não fosse pega com o contrabando por uma enfermeira.

Assim que entrou no quarto se deparou com Rilly dormindo e com um enorme sorriso de Lili para si, ela segurava um bilhete e uma rosa champanhe. Era linda, por mais que ela não gostasse muito de rosas.

— O que é isso?— Ela perguntou para Liliandil.

— Achei que você saberia. Deixaram preso à maçaneta do quarto para você.— A loira lhe entregou o bilhete e a flor.— Vênus você está saindo com alguém e não me disse?

— Não! Eu não sei quem está me deixando isso na verdade…

— Você disse deixando?

— Já recebi dois bilhetes como esse desde o dia que Rilly foi internado. Nenhum estava assinado.

— E o que diziam?

— Eram mensagens fofas, quem deixou isso nunca pensou em entregar para mim pessoalmente. Acho que apenas queria fazer alguém feliz.

— Parece que está conseguindo.— Ela riu da amiga.— O sorriso que você abriu ao me ver segurado isso te entregou.

— Talvez…mas queria saber quem vem me deixando isso.

— Quem sabe um dia você descubra? Agora eu preciso ir, logo Rillian vai acordar mas você tem um tempo para ler o que está escrito aí. E não se preocupe, eu não abri.— A loira sorriu e saiu do quarto, deixando Vênus sozinha naquele silêncio.

“Vejo que finalmente decidiu me ouvir, não é? Acho que eu estava com razão, seu sorriso alegrou muitas pessoas nesse hospital, talvez ele seja mágico? Acredito que logo eu tenha que parar de lhe entregar esses bilhetes, sinto que algo muito bom vai acontecer em breve, mas quem sabe ainda possamos nos ver em algum outro momento? Seu sorriso me contagia.”

Nas próximas duas horas que ela ficou ali com Rillian nada aconteceu, o garotinho parecia estar como estava antes, completamente concentrado no filme. Porém uma enfermeira bateu na porta do quarto, chamando Vênus para conversar do lado de fora.

Minutos depois ela estava com o telefone em mãos, ligando para o irmão. “Caspian! É sobre o Rilly! Ele teve alta, pode acabar o tratamento em casa!”

….

Rillian saltitava pelo hospital feliz por finalmente poder voltar para casa. Ele corria ao redor de Vênus sugerindo várias coisas que poderiam fazer assim que chegassem. Biscoitos, brincar de esconde esconde, fazer uma cabana. Já ela pensava que a primeira coisa que o garotinho faria seria apagar e dormir por muito tempo.

— Vênus! — Disse caspian segurando várias folhas em suas mãos, provavelmente os documentos de alta.— Me pediram para te dar isso. Está trocando bilhetes com alguém?

Ela rapidamente tomou o papel nas mãos. Dessa vez não tinha nenhuma flor anexada, era apenas a pequena folha rasgada de um caderno.

“Não foi fácil fazer a recepcionista me falar que você iria embora do hospital. Acabei descobrindo porque ficou tanto tempo aqui, fico feliz que seu sobrinho esteja melhor.
Dessa vez não pude deixar nenhuma flor. Também não pude deixar nenhum texto muito grande, mas tenho uma proposta.
Apenas se você quiser, você pode me encontrar no parque St. James, na blue bridge hoje à noite. Ainda preciso te entregar sua última flor.


— Você vai? — Perguntou Caspian atrás dela.

— Você estava lendo?

— Claro! Pode ser um psicopata querendo te sequestrar!

— Pensando por esse lado, até que faz sentido. Mas eu realmente queria ir…

— Eu e Lili podemos ir com você. Podemos deixar Rilly com a Ast por um tempo e fingir que somos só mais um casal num encontro. Se tentarem se agarrar eu corro e empurro quem quer que seja no rio.

— Tudo bem.— Ela riu.— Mas eu posso me cuidar sozinha.

….

Londres vista da Blue Brigde era linda, principalmente a noite. A parte ruim era estar rodeado de casais melosos por todo o lugar.

— Loira do Hospital? — Ela se virou após tomar um susto, dando de cara com um homem segurando um buquê de girassóis. Ele estava sorrindo.— Não esperava que fosse mesmo vir.

Era o mesmo homem que brincava com as crianças no dia do segundo bilhete. Alto, com cabelos castanho e um forte sotaque escocês.

— Nós nos conhecemos?

— Na verdade não. Acho que o mais próximo que chegamos foram os bilhetes que eu deixava para você.

— Por que não me dava eles pessoalmente?

— O efeito não seria o mesmo, você provavelmente pensaria que eu só estava dando em cima de você e continuaria pra baixo. Por mais que te ache linda, não era minha intenção em fazer isso.

— E agora? Você vai se declarar para mim e falar que roubei seu coração assim que entrei chorando na emergência?

— O que?— Ele riu e balançou a cabeça.— Não! Eu nem sei seu nome na verdade. Apenas quero terminar isso.

Ele lhe entregou o buquê com as flores junto de um outro bilhete. Na mesma hora ela abriu, desviando o olhar rapidamente para o homem que lhe olhava com expectativa.

“Fico feliz que tenha ouvido meus conselhos durante esse período difícil, sabe, não acho que eu faria o mesmo se recebesse bilhetes de um desconhecido. Foi bom ver que pude te ajudar ao menos um pouco, mesmo sem ter conversado com você antes. Espero que guarde isso para sempre.
Você é como um raio de sol, alegra todos em sua volta sem muita dificuldade. Não deixe que te apaguem tão fácil.”


— Obrigada por isso…

— Ethan.

— Obrigada Ethan, você realmente me ajudou nesse período. Por mais que não tenha sido instantâneo, foi bom ter alguém que colocasse essas ideias na minha cabeça.

— Não precisa agradecer…

— Vênus.

— Vênus!— Ele repetiu sorrindo, ficando alguns instantes em silêncio.— Acho que eu deveria ir…

— Por que você estava no hospital?

— Eu sou voluntário, passo um tempo com as crianças vítimas do câncer.

— Acho que te vi com elas uma vez, no dia do segundo bilhete.

— Ah, eu me lembro! Fui derrubado por todos aqueles pirralhos.— Ele abriu um sorriso, parecendo se lembrar do dia.

— O que mais você faz?

— Eu posso te contar enquanto te levo para casa, já está meio tarde e logo o parque vai fechar.

— Acho que não, meu irmão está aqui e acho que vai querer me levar. Pensamos que você poderia ser um sequestrador.

— Acho que eu faria o mesmo se minha irmã dissesse que iria encontrar um estranho num parque. Mas não tem problema, podemos conversar enquanto eu te levo para uma cafeteria 24 horas. Seu irmão pode vir atrás da gente.

— Está me chamando para um encontro?

— Não, estou te dando a chance de me conhecer antes que eu realmente te chame para sair. Como eu disse antes, te acho linda.

— Um café, vou pensar se você é bom o suficiente para sair comigo depois.

I lost my soul when the curtain dropped
Bleeding colors just can't stop
I closed my eyes to the signs you're my mission
I paid the price for all my sins
Since your open skies let me in
About (bloody) time I had a new beginning
I'd be a fool to let this moment slip away
Cause I swear I saw my future in your face
Like a masterpiece as the colors glow
There's something more than ""beautiful""
There's no such thing as ""close to perfection""
Ooooh
Like a masterpiece looking in my eyes
The Mona Lisa come alive
Oh my God you so leave me breathless breathless
Oooh Leave me breathless
Broadway dreams, dancin' till I drop
I looked up and my heart stopped
Saw you standing there like a vision
So beautiful that it makes me blind
I'm out of breath and I'm out of time
When my eyes met your eyes a split second
I'd be a fool to let this moment slip away
Cause I swear I saw my future in your face
Like a masterpiece as the colors glow
There's something more than ""beautiful""
There's no such thing as ""close to perfection""
Ooooh
Like a masterpiece looking in my eyes
The Mona Lisa come alive
Oh my God you so leave me breathless breathless
Oooh Leave me breathless
Oooh Leave me breathless
Oh Oh
I can stare at you all night like a sunset
(Stare at you all night)
I can stare at you every night like a sunset
I can stare at you all night like a sunset
I can stare at you every night every night
(oh I'm never there)
Like a masterpiece as the colors glow
There's something more than ""beautiful""
There's no such thing as ""we're near perfection""
Ooooh
Like a masterpiece looking in my eyes
The Mona Lisa come alive
Oh my God you so leave me breathless leave me breathless
Oooh Leave me breathless
Oooh Leave me breathless
Oooh Leave me breathless
Oooh Leave me breathless

Ethan largou o violão, um pouco timído com os olhos fixos em Vênus. Tinham decidido ir ao mesmo lago mais uma vez após tanto tempo presos debaixo da terra.

-- Vênus, eu sei que posso estar sendo um pouco apressado mas eu não consigo mais parar de pensar nisso. Você quer casar comigo?